Ator Wagner Moura diz que Bolsonaro faz terrorismo no Brasil

O ator comentou sobre o lançamento do seu primeiro longa como diretor, que acontecerá na próxima quinta-feira, 4.

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Na segunda-feira, 1º, o ator Wagner Moura não poupou críticas ao governo Jair Bolsonaro durante uma entrevista concedida por ele ao programa Roda Viva. Segundo o artista, “Marighella” não é apenas sobre as pessoas que resistiram à ditadura militar nos anos 60, mas, na verdade, é sobre os que resistem hoje no Brasil.

O ator, que lança o seu primeiro longa como diretor na próxima quinta-feira, 4, disse que a luta do guerrilheiro que é vivido por Seu Jorge no longa aponta para a história pregressa que o país vive atualmente. Além disso, o artista ainda contou que o filme faz homenagens a grandes revoltas populares, como é o caso de Palmares, Canudos e Revolta dos Malês. Para Wagner Moura, essas revoltas sempre foram relatadas do ponto de vista do dominador.

O artista contou que as pessoas acusadas de terrorismo são pobres, como é o caso do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Black Lives Matter. Diante disso, Moura diz ter se incomodado, já que, ao seu ver, as 600 mortes causadas pela pandemia e as 19 milhões de pessoas passando fome é terrorismo. Wagner ainda destacou o fato de a Amazônia estar pegando fogo e o ministro da Economia ter uma conta offshore enquanto a população paga impostos altos.

Acompanhando sessões de pré-estreia do longa, Wagner Moura afirmou estar entusiasmado com a recepção, principalmente, do público jovem e que se envolvem com movimentos sociais. Além disso, o artista ainda aproveitou o momento para relembrar o quão difícil foi a captação de recursos e ainda da saga tortuosa de lançamento no Brasil.

Segundo ele, foram realizadas ameaças à produção e também um ataque feito por homens encapuzados a um dos locais do MST em Prado, na Bahia. Mesmo assim, Moura faz questão de destacar que não tem medo dessa gente. “São covardes”, disparou o ator ressaltando que fazer um longa a respeito da Marighella no país é o mesmo que fazer parte de um movimento contra o fascismo, movimento esse do qual ele diz se orgulhar em fazer parte.