A Polícia Federal identificou trocas de mensagens no aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro que indicam a atuação do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, marido de Patrícia Abravanel, na articulação de uma agenda com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Os dados constam em um relatório de investigação que analisou as comunicações do proprietário do Banco Master, revelando a intermediação direta de Faria para conectar as duas partes em Brasília.
Durante as conversas interceptadas, Fábio encaminha ao empresário um texto atribuído ao magistrado, sugerindo uma reunião para as 19h30 do dia seguinte. Ao confirmar o compromisso, Faria utiliza o apelido ‘Careca’ para se referir ao integrante da Corte. Em diálogos anteriores, o intermediário menciona que precisava “remarcar com Alex” e solicita o endereço residencial do banqueiro para repassar a informação, avisando que apagaria os dados logo em seguida.
Mensagens da PF sobre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro
O documento elaborado pelos investigadores possui uma seção específica nomeada como “Outros encontros entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes”. Neste trecho, os agentes federais destacam uma comunicação datada de 15 de novembro de 2024, na qual o dono do Banco Master escreve para um contato afirmando que estava “com alexandre moraes”. Além disso, os registros mostram um aviso enviado por um motorista do empresário, relatando que o “Min Alexandre chegou” ao local combinado.
O contexto das aproximações ocorre em meio à revelação de um acordo financeiro entre o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, e o ex-banqueiro. A advogada confirmou que “solicitou informações” ao marido, através do setor de compliance de sua banca, sobre “eventuais impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual”. O documento digital do contrato, que estipulava pagamentos de R$ 131 milhões em três anos, registra edições feitas por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
Contrato milionário do Banco Master e posição da defesa
A defesa da advogada sustenta que a assinatura do documento ocorreu apenas após a constatação da “inexistência” de “qualquer impedimento legal” relacionado ao cargo ocupado por seu cônjuge no Supremo. Em nota oficial para esclarecer o vínculo profissional de R$ 3,6 milhões mensais, a representante legal declarou: “Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados”.
