Um documento interno da TV Globo, redigido em 2 de setembro de 1992, trouxe a público os bastidores das decisões estratégicas adotadas pela direção da emissora quatro meses antes do encerramento do programa Xou da Xuxa. O memorando foi assinado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, então vice-presidente de operações da empresa.
No texto, o executivo abordava o futuro da grade matutina destinada às crianças e descartava taxativamente a busca por uma nova apresentadora para ocupar o espaço vago na programação. Na avaliação registrada no documento, o ex-diretor defendia a inviabilidade de tentar replicar a fórmula que havia consagrado a atração infantil desde sua estreia, em 1986.
Posicionamento de Boni
De acordo com o registro oficial redigido por Boni, “Insistir no formato ‘Xou da Xuxa’ sem a Xuxa seria uma bobagem. Inventar uma nova Xuxa seria uma tolice ainda maior”.
Diante do diagnóstico de que a atração não deveria ser clonada, o memorando apontava para uma reestruturação completa na dinâmica dos programas voltados ao público infantil. A diretriz estabelecida por Boni sugeria uma redução progressiva das atrações gravadas em auditório e propunha que a exibição dos desenhos animados passasse a ser intermediada por novos elementos, com foco na utilização de bonecos e personagens lúdicos.
Transição à época
A transição planejada no documento concretizou-se nos meses seguintes. O programa Xou da Xuxa encerrou suas exibições em 31 de dezembro de 1992. Pouco tempo depois, em abril de 1993, a TV Globo estreou a TV Colosso, atração comandada por bonecos articulados que combinava quadros de humor e exibição de animações, alinhando-se exatamente à proposta descrita no memorando do executivo.
