A apresentadora Ana Maria Braga emocionou o público ao revelar que ainda realiza chamadas para o número de telefone de sua mãe já falecida. Durante o relato, a comunicadora explicou que busca ouvir a voz materna na caixa postal em momentos de saudade. A declaração gerou imediata identificação nas redes sociais entre milhares de internautas que compartilharam experiências similares de preservação de vÃnculos.
Muitas pessoas relataram manter áudios, perfumes e roupas de familiares como forma de manter a conexão com quem partiu. Especialistas indicam que esses comportamentos estão ligados à maneira como o cérebro processa memórias emocionais e vÃnculos afetivos profundos. O ato de buscar estÃmulos sensoriais ajuda a reativar lembranças que não são apenas cognitivas, mas também sentimentais.
Memória sensorial e luto
Em entrevista ao portal Metrópoles, a psicanalista Fabiana Milanez explica que objetos e sons funcionam como gatilhos que ativam áreas emocionais ligadas à memória episódica. Segundo a fundadora da INN-Consciente, esses estÃmulos reaproximam o indivÃduo da experiência vivida com o ente querido.
O relato de Ana Maria demonstra que o luto não possui uma trajetória linear e pode ser reativado em diferentes fases. Mesmo após anos da perda, determinadas situações despertam sentimentos intensos que atualizam a sensação de conexão emocional.
Processamento cerebral da ausência
Para a terapeuta Glaucia Santana, do Espaço Hi, o cérebro humano não apaga o vÃnculo, mas aprende a conviver com a falta. Quando um gatilho é acionado, a rede de lembranças é reaberta e a sensação da perda é momentaneamente atualizada.
Os profissionais ressaltam que sentir saudade e preservar memórias simbólicas não indica necessariamente que o luto esteja mal elaborado. A distinção fundamental reside em como essas lembranças impactam o cotidiano e a funcionalidade da pessoa no presente.
