Viúvo de Gilberto Braga expõe pagamento irrisório da Globo por reprise: ‘Sentimento de injustiça, ingratidão’

Edgar Moura Brasil critica valor pago pela TV Globo por direitos autorais.

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Edgar Moura Brasil, viúvo do célebre escritor Gilberto Braga, utilizou as redes sociais nesta quinta-feira, 30/04, para protestar contra as quantias irrisórias pagas pela TV Globo a título de direitos autorais. O herdeiro relatou sua indignação ao receber o pagamento pela transmissão da novela Celebridade (2003) nos Estados Unidos, classificando o montante como uma falta de respeito à memória do autor.

Segundo Edgar, ele recebeu um comunicado da emissora solicitando uma nota fiscal para o acerto financeiro da obra, que foi um dos maiores êxitos da carreira de Braga. “Outro dia recebi um aviso da TV Globo que deveria mandar uma nota fiscal para o recebimento de direitos autorais de meu falecido marido, Gilberto Braga. O aviso esclarecia que era um pagamento referente à exibição nos Estados Unidos de Celebridade, um dos maiores sucessos que ele escreveu”, relatou.

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Valor gera indignação

No entanto, a expectativa de reconhecimento logo se transformou em frustração. “Achei respeitoso o gesto da Globo até que vi a quantia que caberia ao grande autor que foi Gilberto”, complementou. Ao revelar o comprovante de pagamento, o decorador expôs que o valor destinado à obra de 221 capítulos foi de apenas R$ 89,42. Diante do número, ele questionou: “Isso mesmo, pela exibição de 221 capítulos de uma novela de enorme sucesso o autor recebe oitenta e nove reais e quarenta e dois centavos?”.

A decepção de Edgar motivou críticas duras à postura da empresa em relação aos profissionais que consolidaram sua relevância histórica. “Minha impressão inicial de respeito e consideração caiu por terra e fui invadido por um grande sentimento de injustiça, ingratidão e pilhagem. Como uma emissora que os textos de Gilberto ajudaram a chegar no patamar de influência e relevância no Brasil desvaloriza tanto a sua obra?”, desabafou.

Críticas à emissora

Além do caso específico, o viúvo sustenta que os critérios adotados pela emissora estão ultrapassados e que outros roteiristas também enfrentam remunerações baixas em reprises e plataformas de streaming, sem que haja clareza ou diálogo sobre os cálculos. Edgar finalizou o protesto reforçando a desproporção entre o lucro da empresa e o repasse aos criadores ao afirmar que acha um absurdo porque, certamente, a Globo não vende seus produtos pelo mundo a preço de banana.