Malga Di Paula, escritora e viúva de Chico Anysio, expressou descontentamento com a série documental ‘Chico Anysio – Um Homem à Procura de um Personagem’, disponibilizada pelo Globoplay. Em entrevista concedida ao jornalista Rodrigo Alvarez no canal ‘Jornada Infinita’, ela questionou a decisão editorial de não incluir depoimentos sobre os 14 anos em que esteve casada com o humorista. Segundo seu relato, a produção não entrou em contato para solicitar sua participação, o que gerou um sentimento de apagamento de sua história ao lado do artista. Malga destacou: “Não fui comunicada, não fui convidada. Dá a impressão que eu não existi”.
A produção audiovisual cita o nome da viúva em apenas duas ocasiões, dedicando maior tempo de tela ao relacionamento de Chico com a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello. Para Malga, a equipe poderia ter buscado sua perspectiva, especialmente sobre a fase final da vida do comediante. Ela argumentou que, mesmo que não fosse o foco central, sua vivência seria relevante para contextualizar o período. “Eles nem precisavam ter falado de mim se não quisessem, mas, talvez, pegar o meu depoimento para saber como foi aquele período”, pontuou durante a conversa. A escritora também mencionou que Zélia foi responsável por organizar as finanças do ator, que tinha dificuldades em gerir os altos valores recebidos.
Impacto do afastamento da TV
O ponto mais crítico da entrevista abordou o rompimento profissional entre Chico Anysio e a TV Globo. O humorista foi retirado da programação no ano 2000, pouco antes de celebrar cinco décadas da ‘Escolinha do Professor Raimundo’. De acordo com Malga, esse afastamento forçado, comunicado por meio de uma carta, contribuiu para o agravamento de um quadro emocional delicado e outros problemas de saúde enfrentados por ele. A viúva foi enfática ao responsabilizar a emissora pelo declínio do marido. “Eles mataram o Chico 12 anos antes”. Ela reforçou essa visão ao afirmar que a atitude da empresa teve um peso definitivo na trajetória final do artista: “Eles tiraram 12 anos da vida do Chico.”
Além das questões profissionais, a entrevista trouxe à tona conflitos familiares ocorridos durante a internação do humorista, que faleceu em 2012 devido a complicações cardíacas. Malga relatou desentendimentos com os filhos de Chico e um cunhado no momento em que decidiu substituir a equipe médica responsável pelo tratamento no hospital. A tensão no ambiente hospitalar escalou a ponto de envolver autoridades de segurança. Ao relembrar o episódio no Centro de Terapia Intensiva, ela revelou: “Chamaram a polícia no CTI.”
Memória e últimos anos
O período mencionado por Malga compreende o intervalo entre a saída do ar, no início dos anos 2000, e o momento em que o humorista faleceu, aos 80 anos. A série documental, alvo das críticas, busca retratar a carreira e a vida pessoal de um dos maiores nomes do humor nacional, mas, segundo a viúva, falha ao ignorar a etapa em que ela esteve presente.
