Morando em internato, sem dinheiro para roupa e comida: o passado de Samira é a prova que o mundo dá voltas

Participante buscou refúgio em colégio adventista aos 13 anos e enfrentou restrições alimentares e de vestimenta antes da fama.

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A trajetória de Samira Sagr, integrante do elenco do Big Brother Brasil 26, inclui um período significativo vivendo sob regime de internato religioso. Aos 13 anos, a gaúcha natural de Butiá tomou a iniciativa de se matricular no Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS), localizado no município de Taquara, no Rio Grande do Sul.

A decisão de ingressar na instituição foi motivada pelo desejo de se afastar do ambiente familiar, descrito pela participante como marcado pelo autoritarismo paterno. No local, a estudante encontrou um cenário distinto, pautado por uma disciplina rigorosa que contrasta com a imagem extrovertida apresentada atualmente no programa de televisão.

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Para custear as mensalidades da instituição, que atualmente giram em torno de três mil reais, Samira recorreu a um pedido de auxílio financeiro por meio de uma carta, sensibilizando um empresário da região que financiou seus estudos por anos.

Apesar do suporte para as despesas educacionais, a participante precisou buscar formas alternativas de renda para suprir necessidades básicas. Dentro do colégio, ela comercializava macarrão instantâneo para outras alunas, prática que não era permitida pelas normas internas. Sobre as dificuldades materiais e sociais daquela época, Samira recordou em entrevista anterior ao confinamento: “Eu não tinha roupa. As pessoas me zoavam e falavam mal das minhas peças”.

Normas rígidas de conduta e alimentação

O cotidiano no internato era regido pelos princípios da filosofia adventista, impondo restrições severas aos alunos visando a disciplina e a simplicidade. A alimentação no campus seguia uma dieta ovolactovegetariana, com a proibição total do consumo de carne nas dependências.

O código de vestimenta vetava o uso de decotes, saias curtas ou biquínis, enquanto modificações corporais estéticas, como tatuagens, piercings e cabelos coloridos, eram estritamente proibidas. Durante sua estadia, a atual sister integrou atividades extracurriculares artísticas, participando ativamente do coral, da banda cívica e do grupo de teatro da instituição de ensino.

Após concluir o período no Sul, Samira residiu por dois anos em outro internato em São Paulo e trabalhou como vendedora de livros porta a porta para financiar a faculdade de Publicidade.

Atualmente estudante de Direito e moradora da Praia do Rosa, em Santa Catarina, ela enfrenta uma situação financeira delicada, tendo atuado em diversas funções informais, como babá e atendente de bar, para garantir sua subsistência. A instabilidade econômica resultou em restrições de crédito e dívidas, conforme revelou a participante ao ingressar no reality show: “Meu maior medo é abrir o aplicativo do banco. Estou cancelada em todos eles”.

Objetivo do prêmio e transformação estética

Um dos principais objetivos de Samira no confinamento envolve seu animal de estimação, Lindolfo, um cão que possui apenas três patas. A participante planeja utilizar eventual prêmio financeiro para adquirir uma prótese para o animal, uma causa que já mobilizou ativistas e políticos fora da casa, independentemente do resultado do jogo.

Além da motivação pessoal, a presença de Samira na mídia destaca sua capacidade de adaptação visual e comportamental. A jovem abandonou os fios castanhos da época do colégio para adotar um visual loiro e o uso frequente de botas, trocando o ambiente silencioso e controlado das salas de aula pela exposição em rede nacional.