Ao participar do programa Encontro nesta terça-feira (24), Marcelo Serrado abordou abertamente sua trajetória com o burnout, o pânico e a ansiedade, revelando que essas vivências o impulsionaram a buscar ajuda profissional e a criar a peça Terapia. Em um relato sensível à apresentadora Patrícia Poeta, o artista detalhou um momento crítico vivido durante um voo familiar rumo à Disney.
Ele explicou que, mesmo tentando se prevenir, a crise surgiu em pleno ar, restando ainda um longo trajeto pela frente. Segundo suas palavras: “Eu me preparo antes de fazer uma viagem, mas tive [uma crise] dentro do avião quando fui para a Disney com a família. Eu tinha mais oito horas de viagem, você imagina. Eu falei: ‘Meu Deus, ferrou. Preciso dar um jeito’”.
Serrado mencionou que técnicas de respiração não foram suficientes para conter o episódio e que o medo persistiu até o momento do retorno, quando ele quase desistiu de entrar na aeronave. O ator confessou que, diante do desespero, chegou a buscar soluções fora da realidade: “Quando ia voltar para o Brasil, eu falei: ‘Não vou embarcar’”. Ele complementou explicando o estado de confusão mental provocado pelo transtorno ao afirmar que: “Eu pensei em voltar para o Brasil de carro, mas não era permitido. Você fica cego”.
Experiência virou tema nos palcos
Marcelo Serrado destacou que o apoio inesperado de um passageiro foi o que permitiu a conclusão de seu trajeto. Ao relembrar o episódio, o ator demonstrou gratidão por um homem que o acompanhou durante o voo, afirmando que: “Tinha um cara do meu lado que eu não conhecia. Ricardo, nunca mais eu vi. Esse cara ficou mais de quatro horas conversando comigo… Esse cara me salvou. Sem ele saber, ele me salvou”. Para o artista, o diálogo serviu como uma ferramenta essencial de distração para superar o pânico naquele cenário.
Saúde mental importa
Além do relato pessoal, Serrado aproveitou para desmistificar o preconceito em torno dos cuidados psicológicos, observando a alta adesão do público ao tema durante suas apresentações teatrais. Ele enfatizou a abrangência do problema ao declarar que: “Saúde mental não é uma coisa de classe média, é de todas as classes. Não é frescura”.
O espetáculo nasceu justamente dessa necessidade de transformar a dor em diálogo, conforme explicou o ator: “Tive uma questão que eu fui tratar e resolvi falar disso de uma maneira aberta… A questão de saúde mental é maior do que a gente imagina. É um assunto sério.”

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