O FOMO de ficar de fora da viagem rumo à ascensão do mercado financeiro

Como o medo de perder oportunidades molda decisões financeiras numa era dominada por tendências e redes sociais.

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O FOMO de ficar de fora da viagem rumo à ascensão do mercado financeiro
FOMO, em inglês, “fear of missing out”. Certamente já leu/viu isto algures, a mais que não seja, num reels do Instagram ou TikTok. No setor financeiro o FOMO é real. Todos sentem que estão a perder uma oportunidade de investimento. Será isso mesmo assim? Ainda não há bem uma resposta definida, mas há algumas coisas que se pode saber para não se sentir tão perdido. 

Se olharmos para a recente quebra do btc/usd que baixou para os 100 mil dólares podemos aferir duas coisas: houve muita gente a perder dinheiro, mas ainda assim, também houve muita gente a ganhá-lo. Esta é a permissa para este artigo: existem as duas faces da moeda e o mais importante é mesmo estar bem informado.

O medo de que todos estejam a ganhar sem si

Ao abrir o seu feed, parece que todos estão a ficar ricos da noite para o dia. Uma pessoa acaba de duplicar um depósito, outra recebeu um investimento em criptomoedas ao almoço e outra ainda tem um contacto que, presumivelmente, pode ensinar a fazer o mesmo. O fluxo constante de histórias de sucesso faz parecer que ficar parado é um fracasso.

Não se trata de ganância. Trata-se de se sentir parte de algo. No mundo online de hoje, o silêncio significa invisibilidade. As pessoas seguem as tendências de investimento não porque pesquisaram, mas porque ficar de fora dói mais do que uma possível perda.

É a pressão dos pares no mundo financeiro, um espetáculo de validação. Cada manchete, cada atualização nas redes sociais, repete a mesma mensagem. É um apelo à ação, para FAZER enquanto a oportunidade está disponível. A gritaria aumenta em linhas temporais criadas estritamente como mecanismos de reação, e não de reflexão.

Quando a publicidade parece estratégia

As finanças modernas comportam-se como a cultura pop. O que é tendência hoje pode desaparecer amanhã. O mercado move-se com a mesma imprevisibilidade do próximo desafio viral, só que aqui, os riscos são reais.

As pessoas chamam-lhe “estar informado”, mas muitas vezes é apenas um scroll infinito. O FOMO financeiro recompensa as vozes mais altas, e não as escolhas mais sábias. Cliques e comentários tornam-se a nova moeda. Um tweet pode mover uma ação; uma publicação pode iniciar um frenesim. A estratégia começa a parecer uma imitação.

As pessoas mencionam as plataformas como se fossem marcas de moda. As finanças tornam-se uma forma de arte performativa, onde a própria conversa se torna mercadoria. A paciência costumava definir o dinheiro inteligente; agora, é a atenção que define. A pressa de agir primeiro ofusca muitas vezes a capacidade de saber quando recuar.

A geração do “Teste Prático”

No meio do caos, um novo tipo de investidor está a surgir: o viajante curioso, cauteloso e ávido por aprender sem perder. Este grupo valoriza a experiência acima do ego. É aí que entram em cena as contas de demonstração, as simulações de negociação e as comunidades virtuais de investimento.

A mentalidade do “teste prático” não se limita às finanças. As pessoas costumam iniciar relacionamentos aos poucos, testar empregos antes de mudar e experimentar produtos antes de se comprometerem. Isto reflete uma geração que procura emoção sem catástrofe, curiosidade temperada pelo controlo.

Mesmo numa era dominada pelo FOMO (medo de ficar de fora), isto prova que nem todos estão em busca do caos; alguns estão a dominar a moderação.

Influência, caos e comparação

Os mercados tornaram-se um palco para a autoimagem. As capturas de ecrã de vitórias circulam como troféus, enquanto as de derrotas permanecem ocultas. A história gira sempre em torno do sucesso, da velocidade e da ostentação.

As redes sociais transformam o investimento numa compilação de melhores momentos. Ver alguém a gabar-se dos seus ganhos desperta admiração e ansiedade em igual medida. Logo, o objetivo já não é acumular riqueza, mas sim manter a visibilidade.

O problema é que o desempenho esconde a dor. Por cada vitória viral, inúmeras derrotas silenciosas nunca chegam ao feed.

Eis o padrão típico:

Alguém do seu círculo gaba-se de um lucro repentino.
Entra-se na onda, esperando que o raio caia duas vezes no mesmo sítio. O mercado oscila, o lucro desaparece e fica a atualizar gráficos às 2 da manhã.
Este ciclo emocional mantém os participantes presos, não pelo lucro, mas pelo orgulho. O medo de ficar para trás na conversa gera mais riscos do que a lógica poderia gerar.

A nova moeda do cool

Ter influência no mercado financeiro tornou-se uma afirmação de moda. Manter-se atualizado sobre a última criptomoeda, aplicação ou tendência de mercado tornou-se um símbolo de reconhecimento, uma forma de ser considerado relevante e atual. No mundo de hoje, investir o seu dinheiro

Os profissionais mais jovens incorporaram as finanças nas suas narrativas, partilhando frequentemente fotografias da sua “jornada” e usando o jargão para expressar as suas ambições. Os mercados não se resumem apenas a obter lucros, mas também a estar associado e envolvido.

Mas uma facção mais discreta opôs-se. Estas pessoas priorizam a paciência em vez do pânico, a calma em vez do caos. Em vez de seguirem a tendência, analisam a duração da tendência. É claro que não são imunes ao FOMO (medo de ficar de fora), mas já descobriram como lidar com ele.