Durante sua participação no programa americano The Daily Show, o ator Wagner Moura, de 49 anos, explicou que a concepção do filme O Agente Secreto foi impulsionada diretamente pela ascensão de Jair Bolsonaro ao poder.
Em uma reflexão sobre a história política do país, o artista destacou que as marcas do regime militar ainda persistem na estrutura social brasileira, descrevendo a eleição do ex-presidente em 2018 como uma personificação desses traumas passados.
Bolsonaro teria sido inspiração
Wagner revelou que a obra surgiu da indignação e do espanto que ele e o diretor Kleber Mendonça Filho sentiram diante do cenário político brasileiro no período de 2018 a 2022. O ator chegou a comentar ironicamente, inclusive durante uma premiação no Festival de Cannes, que a existência do longa-metragem se deve à gestão de Bolsonaro, uma vez que o projeto foi alimentado pela perplexidade coletiva gerada por aquele governo.
O artista aprofundou seus questionamentos ao afirmar que: “Este homem [Bolsonaro], eleito democraticamente, veio para trazer de volta valores da ditadura militar para o Brasil do século XXI”. Para Moura, as posturas e falas de Bolsonaro representam uma conexão direta com métodos autoritários que deveriam ter ficado no passado.
Memória contra esquecimento
Nesse contexto, o ator destacou que O Agente Secreto foca na relevância da memória histórica, criticando abertamente a Lei da Anistia de 1979. Segundo ele, essa legislação prejudicou a consciência coletiva do Brasil ao conceder perdão a responsáveis por torturas e assassinatos contra civis, impedindo que o país lidasse adequadamente com seus traumas. Wagner defendeu que determinados atos são imperdoáveis e que o esquecimento institucionalizado é nocivo para a sociedade.
