A família de Manoel Carlos, um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, moveu uma ação judicial contra a Globo por suposta falta de transparência no pagamento dos direitos autorais das obras do autor. O escritor, conhecido como Maneco, faleceu aos 92 anos, neste sábado (10), e deixou um vasto legado na televisão, responsável por novelas que marcaram gerações.
A iniciativa partiu da produtora Boa Palavra, empresa criada por Júlia Almeida, filha do dramaturgo, que atualmente administra sua carreira e o uso comercial de suas produções. De acordo com informações do processo, a produtora afirma que a emissora não fornece relatórios detalhados sobre a forma como os valores pagos são calculados.
Processo da família de Manoel Carlos contra a Globo
Segundo a família, os documentos apresentados pela Globo se limitam a indicar montantes globais por obra, sem explicar critérios, períodos de exibição, receitas obtidas ou parâmetros utilizados para chegar aos números finais. Essa ausência de clareza teria motivado a decisão de recorrer à Justiça, buscando acesso completo às informações financeiras relacionadas às obras de Manoel Carlos.
A ação foi protocolada após dois acontecimentos considerados estratégicos pela família: a recente reprise da novela “História de Amor” (1995) e a confirmação de um remake de “Páginas da Vida” (2006), que será produzido em Portugal. Ambos os projetos reacenderam a discussão sobre a correta remuneração dos direitos autorais, especialmente em um cenário de múltiplas exibições, vendas internacionais e novos formatos de distribuição.
Processo tramita no Rio de Janeiro
O processo tramita na 21ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e ainda está em fase inicial. A expectativa da produtora é obter acesso a dados completos que permitam conferir se os valores pagos correspondem de fato à exploração comercial das obras.
