Fabricio Marta, promovido ao cargo de Chefia de Produção de Rede da TV Globo em janeiro de 2026, pediu demissão da emissora após sofrer dois infartos durante o período do Carnaval. O jornalista, que precisou ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), comunicou sua decisão aos superiores por meio de mensagens de WhatsApp ainda no hospital. Segundo ele, o desligamento não foi motivado apenas pelos problemas de saúde, mas por divergências com a atual direção e o ambiente corporativo. Marta afirmou que sua trajetória na empresa foi encerrada devido a “escolhas mal dimensionadas” e ressaltou que não seria “signatário de atitudes incoerentes” diante das novas diretrizes impostas pela gestão.
Após oficializar sua saída, o ex-funcionário utilizou as redes sociais para expor situações de bastidores que motivaram seu descontentamento. Ele revelou ter recusado uma proposta para retornar a uma função que já havia exercido há 15 anos, declarando: “Não nasci pra ser secretário de luxo e tampouco figurante da minha própria vida”. O profissional listou o excesso de burocracia e reuniões improdutivas como fatores de desgaste, celebrando o fato de agora ter “menos 10 grupos de trabalho no WhatsApp” e viver longe de “zero fogueiras de egos e vaidades”. Para ele, o desligamento representou um alívio de uma rotina marcada por falhas de comunicação e “mau humor de gente amarga”.
Relatos sobre redução de verbas e ambiente de trabalho
Uma das principais denúncias feitas por Marta envolveu a ordem para cortar o pagamento de horas extras da equipe de produção. Ele classificou a situação como perversa, descrevendo o impacto financeiro na vida dos subordinados. O jornalista relatou um caso específico em que “um produtor tinha 5 horas extras/dia –apalavradas de boca–, o menino quase passou mal ao saber do corte”, pois utilizava o valor para custear os estudos da mãe. Além disso, criticou a falta de reconhecimento a colegas experientes, citando o produtor Helton Setta, que, mesmo falando quatro idiomas e contribuindo para reportagens internacionais, estaria há uma década sem promoção, definindo o cenário como “suco de abismo”.
As críticas se estenderam às mudanças no processo seletivo de novos talentos e à postura de apresentadores renomados. Marta lamentou a substituição do antigo “Projeto Estagiar”, que recrutava estudantes de universidades públicas e periferias, por uma parceria com a PUC-Rio, o que, segundo ele, compromete a diversidade da redação. Ele também mencionou um episódio envolvendo William Bonner, que teria restringido a circulação de pessoas no cenário do Jornal Nacional, chamando o local de santuário. O ex-chefe ironizou a instalação de uma sinalização restritiva no local, classificando-a como uma “placa medonha e antipática” que surgiu após a determinação do âncora.
Homenagem religiosa e respeito ao legado da empresa
Apesar das duras palavras contra a atual administração, a qual descreveu como um “sistema adoecido pela falta de sensibilidade”, Fabricio Marta manteve o respeito pela história da instituição. Após assinar sua homologação, ele dirigiu-se a um templo religioso na Zona Sul do Rio de Janeiro para prestar uma homenagem ao fundador da emissora. O jornalista relatou o momento de espiritualidade e gratidão pela oportunidade profissional que teve ao longo dos anos: “Rezei uma missa, na Igreja de São José, na Lagoa, em intenção ao Roberto Marinho. Sou grato. Muito grato”.
