Bombeiro relembra resgate de Dinho após tragédia dos Mamonas Assassinas: ‘Segura aí que não é só o braço’

Coronel detalha no podcast como encontrou o corpo de Dinho após o acidente que matou o grupo em 1996.

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Três décadas depois da tragédia aérea que dizimou os Mamonas Assassinas, novos relatos sobre o resgate na Serra da Cantareira trazem à tona a complexidade daquela operação em março de 1996. O coronel reformado Melo, que integrou a equipe de bombeiros na época, detalhou em sua participação no TIKTAL Podcast o momento exato em que localizou o corpo do vocalista Dinho. Ele descreveu que o grupo enfrentava sérios obstáculos devido ao terreno acidentado e à mata fechada, o que exigiu uma estratégia de busca minuciosa e manual diante da falta de visibilidade.

O militar explicou que a equipe precisou avançar com extrema cautela, formando um grupo de apoio físico para vasculhar a área. De acordo com o seu depoimento, a densidade da flora impedia que enxergassem o que estava à frente, levando-o a decidir por uma abordagem direta: “A vegetação fechou, então da onde a gente estava não tinha visibilidade. A gente fez uma corrente manual mesmo. Nem colocamos corda. Falei: ‘Vou fazer uma corrente aí eu já pego e já trago’”, recordou o coronel.

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Ao perceber que não se tratava apenas de um membro isolado, mas de parte significativa do corpo do cantor sob a vegetação, o bombeiro alertou imediatamente os colegas para reforçarem o apoio durante a descida.“Quando cheguei lá e peguei no braço, estava pesado. Aí falei: ‘Pessoal, segura aí que não é só o braço’”.

Relato sobre o momento em que encontrou Dinho

A queda da aeronave na Serra da Cantareira, ocorrida na noite de 2 de março de 1996, resultou na morte de todas as nove pessoas a bordo, entre elas os cinco integrantes do grupo que vivia o auge do sucesso nacional. Em seu relato ao podcast, o coronel Melo detalhou o estado em que encontrou os restos mortais do vocalista após a violência do impacto, descrevendo uma cena de extrema fragmentação: “Ele tinha o tronco e um braço só. Não tinha os outros membros, não tinha a cabeça, não tinha do joelho para baixo e não tinha o outro braço. E estava de bermuda”, afirmou o militar.

Resgate na mata revelou força do impacto

A confirmação de que se tratava de Dinho ocorreu ainda no local, quando um familiar que auxiliava as buscas identificou a vestimenta do artista. O cenário descrito pelo bombeiro reforça a força da colisão, já que o avião se despedaçou ao atingir árvores de grande porte, espalhando destroços e vítimas por uma vasta área de difícil acesso. Sobre a desintegração da aeronave, Melo recordou: “O avião passou danificando toda a vegetação e foi se desmanchando nos eucaliptos gigantescos. A gente via pedaço de avião em cima de árvore aqui e ali”. Devido à dispersão dos corpos em meio à mata, o trabalho de resgate foi prolongado, sendo que a última vítima só foi encontrada na tarde do dia seguinte ao acidente.