Há 30 anos, o Brasil parava: a tragédia que tirou a vida dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas

Horas antes da tragédia, Júlio Rasec, tecladista dos Mamonas Assassinas, relatou sonho com queda de avião.

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Nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, completam-se 30 anos da morte dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas, vítimas de um acidente aéreo ocorrido em 1996, na Serra da Cantareira, na Grande São Paulo. A data chama atenção por uma coincidência marcante: o mesmo dia que consolidou a banda como fenômeno nacional acabou entrando para a história como o de sua interrupção definitiva.

Na noite de 2 de março de 1996, o avião modelo Learjet 25D, prefixo PT-LSD, que transportava os músicos e a tripulação, caiu durante a aproximação para o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A aeronave retornava de um show realizado em Brasília. Todos os ocupantes morreram no local.

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Quem estava a bordo

  • Dinho (Alecsander “Dinho” Alves Leite), vocalista dos Mamonas Assassinas
  • Bento Hinoto, guitarrista
  • Júlio Rasec, tecladista
  • Sérgio Reoli, baixista
  • Samuel Reoli, baterista
  • Jorge Luiz Germano Martins, piloto
  • Alberto Yoshiumi Takeda, copiloto
  • Isaac “Shurelambers” Ramos Souto, secretário e assistente de palco
  • Sérgio Saturnino Porto, segurança

O impacto foi imediato e não houve possibilidade de resgate com vida.

As circunstâncias do acidente

De acordo com os relatórios oficiais da época, o acidente ocorreu durante uma tentativa de arremetida, procedimento padrão quando o piloto decide não concluir o pouso. A aeronave acabou colidindo com a vegetação da Serra da Cantareira, área de mata fechada e relevo elevado, localizada a poucos quilômetros do aeroporto.

As investigações apontaram fatores como desorientação espacial, interpretação incorreta de instrumentos e condições operacionais noturnas como determinantes para o acidente. Não foram encontradas falhas mecânicas que indicassem defeito estrutural no avião.

O caso foi conduzido por órgãos da aviação civil e militar, com laudos técnicos divulgados meses depois da tragédia.

O momento vivido pela banda

No início de 1996, os Mamonas Assassinas viviam um período de intensa atividade profissional. Com apenas um álbum lançado, o grupo acumulava recordes de vendas, agenda lotada de shows e presença constante em programas de televisão.

O disco de estreia havia ultrapassado a marca de milhões de cópias vendidas em poucos meses, número incomum mesmo para artistas já consolidados. As músicas figuravam simultaneamente entre as mais tocadas do país, e o grupo se tornara um dos principais nomes da música brasileira naquele momento.

A apresentação em Brasília, realizada horas antes do acidente, fazia parte dessa rotina intensa de compromissos.

O vídeo registrado horas antes do voo

Entre os episódios associados à tragédia, um registro audiovisual gravado poucas horas antes do acidente ganhou destaque na cobertura jornalística e passou a ser citado em retrospectivas ao longo dos anos. Trata-se de um vídeo gravado no próprio dia 2 de março de 1996, em um salão de beleza, no qual o tecladista Júlio Rasec conversa informalmente com um amigo e menciona ter sonhado com um acidente envolvendo avião.

Na gravação, o músico relata o sonho de forma casual, sem associá-lo diretamente ao voo que realizaria naquela noite. O diálogo ocorre em tom descontraído, sem demonstração de apreensão ou previsão concreta. O vídeo não foi produzido com finalidade jornalística nem divulgado antes do acidente.

As imagens vieram a público somente após a confirmação da queda da aeronave e da morte dos integrantes. A partir de então, o registro passou a integrar reportagens especiais, telejornais e documentários, sendo apresentado como uma coincidência temporal ligada à tragédia.

Autoridades e relatórios oficiais nunca atribuíram qualquer relação causal entre o conteúdo do vídeo e o acidente, mantendo as conclusões restritas a fatores técnicos e operacionais.

Reação do país e cobertura da imprensa

A confirmação da queda do avião causou comoção nacional. Em poucas horas, emissoras de rádio e televisão interromperam a programação para divulgar a notícia. Jornais circularam com manchetes de capa dedicadas exclusivamente ao caso.

A cobertura jornalística foi intensa nos dias seguintes, com exibição contínua de imagens do local do acidente, entrevistas com familiares, especialistas e artistas, além da repetição de registros ligados às últimas horas do grupo, incluindo o vídeo gravado com Júlio Rasec.

O velório coletivo, realizado em São Paulo, reuniu milhares de pessoas. Fãs, jornalistas, artistas e autoridades acompanharam as cerimônias, amplamente registradas pela imprensa nacional.

Investigações e encerramento do caso

Após a conclusão das análises técnicas, o acidente foi oficialmente classificado como resultado de falha humana associada a fatores operacionais. Não houve responsabilização criminal direta relacionada ao episódio.

O relatório final serviu como base para discussões posteriores sobre procedimentos de pouso noturno, treinamento de pilotos e segurança aérea em regiões próximas a grandes centros urbanos.

Desde então, o local do acidente passou a ser visitado ocasionalmente por fãs e curiosos, embora não exista um memorial oficial permanente na área.

Três décadas depois

Trinta anos após a tragédia, o nome Mamonas Assassinas segue presente em pesquisas, livros, documentários e reportagens especiais. As músicas permanecem disponíveis em plataformas digitais e continuam sendo executadas em rádios de todo o país.

A data de 2 de março permanece como um marco duplo na memória coletiva: o auge de um fenômeno cultural e, ao mesmo tempo, o dia em que sua trajetória foi interrompida.

Neste 2 de março de 2026, o Brasil relembra oficialmente os 30 anos de um dos episódios mais marcantes da história da música nacional.