Uma operação policial contra um núcleo político ligado ao Comando Vermelho no Amazonas resultou na prisão de 14 pessoas, entre elas servidores públicos dos três poderes. A informação foi apresentada por Renata Lo Prete, no Jornal da Globo, que destacou os detalhes da investigação durante o telejornal.
Segundo a Polícia Civil do Amazonas, os investigados são suspeitos de lavar dinheiro do tráfico de drogas e repassar informações sigilosas para favorecer a atuação da facção criminosa. A ofensiva também cumpriu mandados nos estados do Ceará, Minas Gerais, Pará, Piauí, Maranhão e São Paulo.
O apontado como líder do núcleo é Alan Kleber Bezerra Lima, que está foragido. De acordo com os investigadores, ele seria responsável por empresas de fachada no setor de transporte e logística, usadas para trazer drogas da Colômbia até Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para traficantes em outros estados.
Servidores públicos entre os presos
Entre os detidos está Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. A polícia afirma que ela atuava na lavagem de dinheiro para o grupo. Anabela foi chefe de gabinete do prefeito Davi Almeida até 2023 e ocupa cargos de confiança desde 2017. O prefeito não é investigado.
Também foi preso Isaldir Moreno Barros, servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ele é suspeito de acessar processos sigilosos relacionados à quadrilha e repassar informações às facções criminosas. O Tribunal informou que adotou medidas administrativas em relação ao servidor.
Estrutura infiltrada
Durante coletiva, o delegado Marcelo Martins afirmou que as investigações indicam a infiltração do crime organizado dentro da estrutura estatal. Segundo ele, não há mais dúvidas de que a organização criminosa conseguiu trânsito nos três poderes em Manaus, utilizando esse acesso para beneficiar a facção.
A apuração aponta que o grupo movimentou cerca de 70 milhões de reais desde 2018. Nove pessoas seguem foragidas.
A defesa de Anabela Cardoso Freitas declarou que ela não possui qualquer vínculo com organizações criminosas. As defesas de Isaldir Moreno Barros e de Alan Kleber Bezerra Lima não foram localizadas até o momento.
