O capítulo 100 de Três Graças, aposta em uma cena de forte repercussão ao retratar um atentado contra Ferette (Murilo Benício). O disparo atinge apenas a orelha do vilão, de raspão, em uma construção visual que remete diretamente ao ataque sofrido por Donald Trump durante a campanha presidencial de 2024. A referência não é sutil e transforma o momento em comentário político carregado de ironia.
Na novela das nove da Globo, Ferette é responsável por crimes graves, como falsificação de medicamentos e ordens de assassinato. Ainda assim, sobrevive praticamente ileso ao atentado. A escolha narrativa desloca o foco do suspense tradicional e cria uma provocação sobre vitimização pública e manipulação de imagem, aproximando ficção e realidade.
Cena intensa de Três Graças
Conforme Márcia Pereira, do Notícias da TV, os autores Aguinaldo Silva, Zé Dassilva e Virgílio Silva ambientam o ataque em um grande evento marcado pelo retorno público de Rogério (Eduardo Moscovis), dado como morto por cinco anos. O anúncio é feito por Zenilda (Andréia Horta), abalada após descobrir a traição do marido com Arminda (Grazi Massafera).
A sequência abandona o realismo e investe em constrangimento e tensão. O império de mentiras começa a ruir sob os holofotes, enquanto Arminda observa, isolada, a perda gradual de influência.
Disparo na novela das nove da Globo
O tiro é disparado por Misael (Belo), posicionado como um atirador oculto. O ferimento superficial reforça a metáfora visual e sugere que o espetáculo político pode ser mais impactante do que a própria violência.
