A influenciadora digital Virgínia Fonseca comunicou publicamente que suas duas filhas, Maria Alice e Maria Flor, deverão ser submetidas a um procedimento cirúrgico ainda neste ano. As crianças, com idades de quatro e três anos, respectivamente, passarão pela remoção das amígdalas e das adenoides. A decisão médica baseia-se em diagnósticos clínicos que apontam para a necessidade de intervenção devido ao impacto dessas estruturas na qualidade de vida e na saúde respiratória das meninas. O cenário é algo relativamente comum na pediatria, mas que exige acompanhamento especializado.
Segundo o relato da mãe, a indicação para a operação surgiu após a constatação clínica de que as estruturas estariam muito grandes e, consequentemente, as filhas roncam muito. A hipertrofia, termo médico utilizado para descrever o crescimento excessivo desses tecidos, pode ocasionar respiração bucal, distúrbios do sono e, a longo prazo, comprometer até mesmo a saúde bucal e o desenvolvimento da arcada dentária. O quadro clínico apresentado pelas crianças é uma das principais razões que levam otorrinolaringologistas a recomendar a retirada cirúrgica durante a infância.
Função imunológica e indicações
As amígdalas e as adenoides atuam como barreiras de defesa contra microrganismos que tentam invadir o corpo pelas vias aéreas superiores. Enquanto as amígdalas estão localizadas no fundo da garganta e são visíveis quando se abre a boca, as adenoides estão situadas atrás do nariz e requerem instrumentos médicos específicos para visualização. Em condições saudáveis, elas auxiliam na produção de anticorpos, sendo fundamentais nos primeiros anos de vida para o desenvolvimento da imunidade contra diversas infecções respiratórias.
A intervenção cirúrgica torna-se uma opção necessária quando essas estruturas passam a causar obstruções severas ou se tornam focos de infecções recorrentes, como amigdalites e adenoidites frequentes. Além do desconforto imediato, inflamações constantes e mal curadas na região da garganta podem evoluir para quadros mais complexos, incluindo a febre reumática, que afeta a saúde cardíaca. No entanto, o procedimento envolve riscos inerentes a qualquer cirurgia, como sangramentos e reações à anestesia, exigindo uma análise criteriosa da equipe médica responsável sobre o momento ideal para operar.
Impactos na saúde a longo prazo
Estudos científicos debatem as consequências da remoção desses tecidos na vida adulta e a relação com a imunidade futura. Uma pesquisa abrangente realizada com mais de um milhão de crianças na Dinamarca sugeriu uma correlação entre a cirurgia precoce e uma maior incidência de condições respiratórias, como asma, gripe e bronquite, na fase adulta. Embora a operação seja considerada segura e rotineira, a decisão final depende de uma avaliação individualizada, ponderando se os benefícios da desobstrução das vias aéreas e da interrupção das infecções superam os potenciais riscos apontados pelas pesquisas.
