Game of Thrones chega à sua temporada final se consolidando como a melhor série já feita

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Foram 67 episódios até se chegar à tão aguardada temporada final de Game of Thrones. E ao rever todos eles em sequência, sem pular nenhum, ou dar muito tempo entre um episódio e outro, se torna possível começar a entender a fascinação que a série projeta, bem como os motivos que fazem dela tão especial.

Ao longo de sete temporadas, a quantidade de reviravoltas enfrentada pelos protagonistas, novos e antigos, conseguiu ser surpreendente e ainda assim, crível em sua maior parte. Geralmente, quando séries se valem desse expediente, as reviravoltas são pensadas após algum tempo decorrido, sendo muitas vezes vazias e sem sentido.

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Já em Game of Thrones, elas foram idealizadas desde sua gênese, até por conta da antiguidade do projeto, que levou quase dez anos para gerar o primeiro livro, Méritos do criador, George Martin.  

Ainda assim, não são as reviravoltas que seriam as protagonistas do sucesso do seriado. Em Matrix, o Agente Smith declara que a simulação que funcionou melhor foi aquela que trazia a miséria, a desgraça e o sofrimento para a existência humana, como se o homem definisse sua própria existência através do sofrimento.

E nenhum seriado jamais vai castigar tanto o espectador como Game of Thrones: todos os queridinhos do grande público são seguidamente punidos e sofrem castigos inimagináveis por conta de certo sadismo da equipe de roteiristas, ainda que tenham bebido da fonte, pelo menos até a quinta temporada, quando os rumos do seriado divergem dos livros, ainda não publicados.

Exemplos não faltam, dispostos criativamente em episódios não de final de temporada, mas imediatamente antes: não basta a punhalada, é preciso girar a faca no imaginário do público cativo. Nada melhor do que o infame Casamento Vermelho para ilustrar esse entendimento. E mais, no trágico episódio, foram acrescentados detalhes adicionais ao enredo para que o público que havia lido previamente os livros se surpreendesse tanto quanto os novatos da telinha.  

Mas nem só de desgraça vive a popularidade de uma série. A riqueza de cenários, a opulência das vestimentas, os detalhes trabalhados com esmero, tudo contribui. Gravar o seriado em diversos países, de forma a retratar melhor a variedade dos climas e panos de fundo de Westeros, confere uma credibilidade ainda maior ao todo, e é na credibilidade que se fia o enredo. Com exceção ao místico e fantasioso, o resto encontra diversos paralelos na história da humanidade. 

E humanidade é o ingrediente final para o seriado. Através das reviravoltas e das misérias da condição humana, as mais improváveis conexões são formadas. Inimizades atávicas são superadas pelo poder das circunstâncias, e quanto mais estranha parece a ligação entre dois personagens, mais rica a mesma será, mostrando que as alianças são parte fundamental da condição humana. E com isso cada jornada em sí valeria um filme ou um livro, quebrando impressões e desconstruindo personagens tidos como bons ou ruins.

O seriado transforma o sentimento dos espectadores ao longo da jornada, oferecendo perspectivas e informações novas, e assim entrega uma experiência completa baseada em opostos, e todas suas tonalidades intermediárias. Não à toa o nome original da saga da HBO se chama As Crônicas de Fogo e Gelo, das quais o Jogo dos Tronos não é nada mais do que seu princípio.